Dia Mundial da Água 2019 — ‘Não deixar ninguém para trás’

O Brasil possui mais água doce que qualquer outro país do mundo – 12% do volume total do Planeta. Isso cria uma falsa premissa de que o suprimento estável de água de boa qualidade estará sempre disponível. No Brasil, embora haja abundância de água, em comparação com outros países, existe uma grande variedade de riscos relacionados a água, o que representa uma grande incerteza na disponibilidade de água doce para a população. Além disso, os desafios relacionados a água causam múltiplos efeitos sobre o meio ambiente e a economia.

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), proposto pelas Nações Unidas, visa assegurar a disponibilidade e o manejo sustentável da água e do saneamento para todos. Mas, em 2030, haverá água para todos os brasileiros?

O direito humano a água e saneamento foi reconhecido pela ONU em dezembro de 2015, uma vez que eles são indispensáveis para prover meios de subsistência saudáveis e fundamentais para manter a dignidade de todos os seres humanos.

Para o contexto brasileiro, o alcance do ODS 6 é desafiador. Segundo estudo Perdas de Água 2018, realizado pelo Instituto Trata Brasil com base nos dados do Sistema Nacional de Saneamento (SNIS), estima-se que cerca de 35 milhões de cidadãos não têm acesso a água potável, enquanto que 100 milhões não possuem saneamento adequado. Nesse contexto, as empresas podem desempenhar um papel fundamental neste cenário ao investir em tecnologias e soluções inovadoras para a gestão da água dentro das suas operações e em sua cadeia de valor. Outra frente de envolvimento é a participação em ações coletivas, que proporcionem a oportunidade para que as organizações se engajem com uma variada gama de partes interessadas a fim de criar projetos em conjunto. Além disso, a necessidade de buscar resiliência a situações de severa escassez hídrica gera oportunidades de negócios em mercados e para serviços e produtos inovadores.

No geral, o avanço tanto no acesso a água quanto a saneamento tem sido muito lento no país nas últimas décadas. Doze anos após a Lei do Saneamento Básico (lei 11.445) entrar em vigor no Brasil, metade da população do país continua sem acesso a sistemas de esgotamento sanitário.

A melhoria no acesso a água e a saneamento está entre os principais obstáculos para a realização dos direitos humanos, assim como para o alcance dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030.

Chamamos a todos para contribuir para melhorar a gestão dos recursos hídricos e criar ações coletivas para alcançar a universalização do acesso à água potável e saneamentos seguros e acessíveis para todos, a fim de contribuir para erradicar a pobreza e construir sociedades pacíficas e prósperas, garantindo que “ninguém será deixado para trás” no caminho rumo ao desenvolvimento sustentável.

*Fonte: ONU